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Monday, January 05, 2009

Fernando Lemos: atraido pelo surrealismo

Português morando no bairro do Butantã, São Paulo, tem em 2009 e início de 2010 cheios de compromissos nacionais e internacionais. Será revisitado por inteiro até a editora Giroflé. Lemos pretende lançar "Percurso", uma obra gigante que compila sua trajetória de designer, fotógrafo e artista plástico.

Conceituado artista plástico e fotógrafo Fernando lemos, 82, nasceu em 3 de maio de 1926, em Campo Ourique, bairro de Lisboa, Portugal, período em que o movimento salazarista ganhava força no País. Em1953, fugindo do regime salazarista, faz sua primeira viagem ao Brasil e fixou residência por apenas um ano no Rio de Janeiro. Lá, ele se integrou à personalidades como Rubem Braga e Vinícius de Moraes. Em 1954 mudou-se para São Paulo, e colaborou nos preparativos do Quartocentenário da cidade. Nessa época travou contato com Wllys de Castro, Geraldo de Barros e German Lorca e o fotógrafo Thomaz Farkas. Lemos tem uma identidade profissional muito forte e única, faz fotografia como se as pintassem e pinta como se fizesse desenho. Usa toda a liberdade do surrealismo ao extremo. O contato com fotógrafos como Thomaz Farkas [leia ex-fotoptica] e Geraldo de Barros aparentemente deu mais asas à cabeça libertária de Lemos. Isso cria sempre um dilema na hora de classificá-lo, é difícil achar um lugar para excaixá-lo. Provavelmente, o mais normal para classificar seu trabalho seria ao que hoje se chama de 'multimídia'. De seu ateliê no Bairro do Butantã, a seu modo simplório, Lemos vai obtendo o merecido reconhecimento do seu trabalho como forma de recompensar tantos sacrifícios.

Polêmica /agenda 2009/2010
Em 1952 fez uma polêmica mostra na Casa Jalco, uma loja de móveis em Lisboa com suas experiências em fotografias iniciadas em 1949. Além de Lemos, Marcelino Vespeira e Fernando Azevedo participaram da mostra. Eram fotos com poses nada convencionais além de sobreposições de imagens de amigos como dos escritores Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena e da pintora Maria Helena Vieira da Silva. Gerou um certo mal estar, principalmente para o dono da loja. Seu marco no modernismo da fotografia lusitana seria reconhecido mais tarde logo após a Revolução dos Cravos.

No ano de 1957, ganhou seu primeiro premio no Brasil, Melhor Desenhista Nacional da 4* Bienal de São Paulo. Em 1963 fundou a editora infantil Giroflé, com grande reconhecimento editorial no País. 1965, ele ganha uma sala especial para a 8* Bienal de São Paulo.
Em outubro de 1968, a "Batalha da Maria Antonia", foi acusado de participar de grupos esquerdistas brasileiros, então, perde seu emprego na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - da Faculdade de São Paulo.
Já no ano de 1974 ele retorna à Lisboa, e com a vitória da Revolução dos Cravos, que deu fim ao regime de Salazar, tem seu trabalho revisto em Portugal. Fotos de sua produção surrealista receberam exposição no Centro Cultural Português, da Fundação Gulbekian. Com a descoberta de sua arte pelos portugueses, uma grande retrospectiva foi montada na Calouste Gulbekian, também em Lisboa.
No ano de 2004 a Pinacoteca do Estado de São Paulo realizou a mostra " À Sombra da Luz - À Luz da Sombra".
Em 2008 participa da Photobiennale de Moscou, onde apresentou sua produção dos anos 1940 e 1950; e recebe também o Premio Bannif, Lisboa.

Uma vasta programação sobre seu trabalho está prevista para o final deste ano e início de 2010, em Portugal, Espanha e no Brasil. No final desse ano de 2009 ao início de 2010, uma mostra e inauguração de um museu dedicado a fotografia em Tennerife, Ilhas Canárias;
Outra exposições, No final de 2009, no Museu da Eletricidade em Lisboa, consta na agenda do artista, e será com suas fotos surrealistas. A mesma mostra poderá ser montada na Pinacoteca de São Paulo.

Também está na agenda de 2009 o lançamento de uma compilação em edição bilingue [Português/ Inglês] com as obras de Fernando Lemos. As primeiras edições de sua editora Giroflé, fundada em 1963, com os patrícios portugueses Sidónio Muralha e Fernando Correia da Silva, serão relançados por outra editora. O livro de maior tiragem da Giroflé foi " A Televisão da Bicharada". [Fotos: fernandolemos.org/php]

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