Thursday, November 19, 2015

“Chatô, o Rei do Brasil”, de Guilherme Fontes

Após 20 anos estreia “Chatô, o Rei do Brasil”, Guilherme Fontes supera maldições de sua produção e surpreende.
Marco Rica e Paulo Betti

O filme, finalmente, apresenta-se ao julgamento público, assim como no delírio televisivo de seu protagonista, o magnata da mídia Assis Chateaubriand (Marco Ricca), ao ser lançado em circuito comercial neste 19 de novembro, exatamente Dia da Bandeira, um símbolo nacional que tem destaque em uma cena específica, ganhando amplos significados.

Trata-se da cinebiografia mais ousada do cinema nacional, não apenas em sua estrutura, como também na forma como aborda seu retratado, mais como demônio do que santo, porém, sobretudo como um visionário. A antropofagia da primeira cena já prenuncia que o filme pretende “devorar” não só a figura de Chateaubriand, em seus feitos, desmandos, amores e desafetos, mas igualmente a imprensa, o próprio Brasil e, por que não, a arte.

Ator Guilherme Fontes resolveu se arriscar como realizador em uma adaptação cinematográfica do livro homônimo de Fernando Morais, escritor que já teve suas obras levadas à tela em “Olga” (2004) e “Corações Sujos” (2011), respectivamente, de Jayme Monjardim e Vicente Amorim.

Foram captados 8,6 milhões de reais inicialmente, via leis de incentivo da época.  O ator e diretor foi acusado na prestação de contas por não entregar o produto final, sendo que todos esses processos em que a produção esteve envolvida por mais de uma década, consequentemente, interromperam sua finalização e levaram à dúvida se realmente existia um filme.

Em fim, valeu a espera,  longa, revela-se uma grata surpresa. Longe da perfeição, “Chatô...” gera tanto impacto quanto certa admiração por arriscar-se. (Francisco Martins).

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