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Thursday, April 13, 2006

Centenário de Beckett - 13 de abril 1906 - 2006

Peça com John Hurt comemora centenário de Samuel Beckett

DUBLIN (AgênciaFM), 13 de abril - O ator britânico John Hurt fez carreira interpretando personagens imperfeitos perdidos em um mundo na maior parte das vezes absurdo e cruel - uma preparação ideal para um mergulho na obra do dramaturgo irlandês Samuel Beckett, cujo centenário é comemorado este mês. Hurt, cujos papéis mais conhecidos incluem o homossexual iconoclasta Quentin Crisp em "Vida Nua" e John Merrick em "O Homem Elefante", está de volta à terra-natal do escritor para reencenar "A Última Gravação de Krapp", que ganhou aclamação da crítica de Dublin e Londres em 1999. Na peça, exibida pela primeira vez em 1958, um velho ouve as confissões que ele gravou em épocas mais felizes e descobre que o seu eu anterior lhe é completamente estranho. O texto explora um tema recorrente na obra de Beckett, que foi premiado com um Nobel: o da identidade humana. Em peças como "Fim de Partida", "Dias Felizes" e "Esperando Godot", que o estabeleceu como uma das principais vozes na literatura do século 20, Beckett desnuda a existência humana ao seu essencial para perguntar se somos apenas "uma partícula no vazio" - uma questão que o transformou em pessimista e niilista na visão de alguns críticos. "Beckett certamente faz você pensar. Ele o leva a alguns lugares bem dolorosos", disse Hurt à Reuters em uma entrevista. "Por outro lado, ele é capaz de criar algumas coisas estrondosamente engraçadas."
O festival para comemorar o centenário do nascimento de Beckett, em 13 de abril de 1906, inclui uma temporada de suas peças no Dublin's Gate Theatre, que depois serão exibidas no Barbican de Londres. Especialistas do mundo todo também devem se reunir para discutir cada aspecto da obra do irlandês - irônico, talvez, já que Beckett costumava dizer que nada tinha a dizer. Hurt, que disse que as palavras de Beckett "fazem parte do meu DNA agora", lembrou um encontro em Londres em 1964 quando o escritor participava de ensaios para "Esperando Godot" no Royal Court. "Entrei em um pub perto e havia um homem sentado do outro lado, em um feixe de luz do sol, lendo o Evening Standard, e quando ele abaixou o jornal eu percebi quem ele era", disse. "Eu corri, não costumo ser tão corajoso, e me apresentei e ele se apresentou. Ele foi absolutamente agradável, mas éramos ambos tão tímidos que acabamos não dizendo uma palavra."

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