Saturday, January 12, 2008

O suicídio de Santos Dumont


Raimundo Menezes foi o primeiro a chegar "Magérrimo, pesando nada mais do que 35 quilos, o inventor morreu logo após o sobrevoo de aviões da ditadura em Guarujá. Ver o seu invento servir para destruir, o levou a uma profunda depressão culminando no suicídio".

O brasileiro nascido no Estado do Ceará Raimundo Menezes foi o primeiro a chegar no quarto do hotel onde estava o inventor brasileiro. Era 17h30 do fatídico dia 23 de julho de 1932, quando Menezes, então comissário de polícia em Santos, recebeu uma solicitação estranha de amigos de Dumont que descansava em um hotel no Guarujá, que pediam seu comparecimento ao local. O inventor trancara-se no quarto do hotel e não respondia ao chamamento dos amigos.


Menezes convocou alguns homens da guarda-civil e cruzou o canal chegando à noite no local. Após verificar o silêncio absoluto no interior do banheiro, ele autorizou que um dos homens verificasse por uma clarabóia o que estaria acontecendo. Viria a constatação: o corpo de Santos Dumont pendia, enforcado no cordão do roupão no cano do chuveiro. Segundo o biógrafo, Dumont morreu desgostoso pelos constantes ataques da aviação ditatorial às guarnições constitucionalistas costeira.

Vestido em um roupão de banho, foi esta a primeira visão que Menezes teve do mais célebre inventor brasileiro. Estava pálido, magérrimo e pesando não mais do que 35 quilos. Do Guaruja, o corpo foi levado para Santos onde a família o esperava. Uma das exigências da família foi que os policiais evitassem comentários com a imprensa e, se o fizessem, deveriam dizer que ele teria morrido de morte natural.

O pedido foi submetido ao chefe de polícia paulista, Tirso Martins, que decidiu que o País não deveria saber a verdade, pelo menos enquanto durasse o luto. Por isso, um legista teve de elaborar um laudo especial para não levantar suspeita do enforcamento. Raimundo Menezes tomou depoimento de todos os que estiveram com Dumont nos últimos dias de sua vida. Um dos interrogados disse-lhe que o inventor estava vivendo uma crise de profunda depressão, e o limite foi quando da Luta Constitucionalista. No dia de sua morte, Dumont passeou na praia com seu amigo Edu Chaves quando assistiu o sobrevoo de um avião sobre a barra. Tal avião iria bombardear o Forte Itaipu. Isto teria sido a gota d'água. Dali, ele rumou para a morte no hotel La Plage, dia 23 de julho de 1932. O fato real só veio à tona quase dois anos depois quando um repórter carioca da Revsita "Eu Sei Tudo"o intrevistou.

Raimundo Menezes

Historiador, biógrafo e dicionarista nasceu em Fortaleza - Ceará, em 1903 e sempre foi um apaixonado por São Paulo. Chegou aos 24 anos, formou-se em advocacia e foi feito comissário de polícia aos 29 anos. Dono de um excelente currículo, entre os quais "Memórias de Sherlock Holmes" publicado na Folha d São Paulo, em 1970, assumiu a cadeira de Guilherme de Almeida na Academia Paulista de Letras entre outros. (Francisco  Martins\Fausto Visconde).

2 comments:

Ledneping said...

Muito bom.
Deveriam dar essa riqueza de detalhes nas escolas.

Viviane Dantas Seixas said...

Os detalhes são realmente relevantes nesta matéria. Nossas escolas atualmente primam pela coisa prática, sem conteúdo.