Foi através de suas pinturas que o povo brasileiro começou a conhecerconventos, igrejas e casarios barrocos do Nordeste e de Minas Gerais
Nas décadas do início do século passado, não era muito comum uma mulher andar sozinha por ai com seu cavalete por diversas cidades do País, atrás de paisagens e motivos para pinturas. Mas, mesmo assim, Renée Lefèvre (1905-1996) se enveredou por vários cantos do Brasil sozinha e com admirável coragem. Como afirma a historiadora Ruth Sprung Tarasantchi, foi por causa de seus trabalhos que se tornaram conhecidas igrejas, conventos e casarios barrocos do Nordeste e de Minas Gerais, além de portos e paisagens de outros lugares distantes. Também por meio de sua obra, principalmente, é possível hoje ter um relato belo e sutil de São Paulo - e até de uma São Paulo que não existe mais -, cidade natal da artista e um de seus motivos favoritos.
A pintora ganha agora uma homenagem mais que justa, com a exposição O Brasil de Renée Lefèvre, que pode ser vista na Pinacoteca do Estado, e com o livro Renée Lefèvre, de autoria do crítico de arte Enock Sacramento, lançado agora com a mostra - a publicação é edição comemorativa do centenário de nascimento da artista. A mostra, com curadoria de Sacramento e de Ruth Tarasantchi, reúne mais de 60 pinturas e desenhos realizados entre as décadas de 1930 e 1940. Segundo o crítico, Renée teve como ponto inicial de sua carreira ser aceita aos 23 anos como aluna do requisitado e exigente mestre Pedro Alexandrino, também responsável pela formação de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Aldo Bonadei, entre outros. No fim da década de 1920, ela foi a Paris aperfeiçoar sua formação e lá pintou ao ar livre a cena parisiense e de outras cidades pelas quais passou. Ao retornar ao Brasil, em 1932, ela continuou pintando. Muitos foram os temas de suas paisagens - e muitos os lugares retratados, desde vários Estados brasileiros até Paris, para onde retornou em 1947 por um período. [Francisco Martins]
*Reportagem publicada na versão impressa de Jornal Novas Técnicas edição 23*
www.jornalnovastecnicas.com.br
Serviço:
Renée Lefèvre: Pinacoteca do Estado.
Praça da Luz, 2 - Centro/SP
Fone: [11] 3229-9844. 10 h /18 h (fecha 2.ª).
Quanto? R$ 4 - grátis aos sábados. Até 28 /5
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