Wednesday, August 09, 2017

Morre Zabé da Loca

A luta pela vida e a arte. Esse é o maior legado deixado por Zabé da Loca, a Rainha do Pífano, que mostrou ao Brasil a beleza da música nordestina. Ícone da luta de um povo, a musicista, falecida no último fim de semana, aos 93 anos, construiu uma carreira que fortaleceu a cultura nordestina, tendo conquistado vários prêmios, entre eles a Ordem do Mérito Cultural, promovido anualmente pelo Ministério da Cultura (MinC). 

Isabel Marques da Silva é o nome original da artista nascida na cidade de Buíque, no agreste pernambucano. A musicista conheceu o som do pífano, a flauta típica do Nordeste, logo cedo. De uma família de músicos, aprendeu a tocar o instrumento com o irmão, aos sete anos de idade. O nome artístico veio da vida passada durante 25 anos em uma loca (espécie de gruta) com a família, no município de Monteiro, no Cariri paraibano. 

Apesar de ter iniciado cedo na música, a carreira pública da instrumentista começou tardiamente, aos 79 anos de idade. O primeiro álbum, Canto do Semiárido, foi gravado em 2003 e reuniu composições próprias e uma versão de Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Alberto Teixeira. Daí para frente, o sucesso veio rápido. Em 2004, Zabé foi apresentada ao Brasil e começou uma turnê musical pelo país. A primeira cidade a ser presenteada com sua visita foi Brasília, onde a musicista participou do projeto Da Idade do Mundo, que promovia o encontro de artistas que começaram a carreira tardiamente. Zabé também passou pelo Rio de Janeiro e por São Paulo, entre outras cidades, levando a seu público a alegria e garra do povo nordestino.

Prêmio Culturas Populares

O trabalho de mestres da cultura popular, como Zabé da Loca, é foco do Prêmio Culturas Populares, promovido pelo MinC. Com inscrições abertas até 28 de agosto, a iniciativa premiará, com R$ 10 mil, 500 iniciativas de mestres, grupos, comunidades e instituições privadas que mantêm vivo o patrimônio da cultura popular do país, além de herdeiros de mestres ou mestras já falecidos. O objetivo do prêmio, que homenageia o mestre paraibano Leandro Gomes de Barros, é estimular uma das nossas maiores riquezas, a cultura feita pelo povo do Brasil. 

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